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Ubatuba começa a aparecer na História
do Brasil com o nome de Aldeia de Iperoig, nos relatórios
do missionário José de Anchieta ao Provincial da
Ordem dos Jesuítas, contando sobre os conflitos existentes
na região.
Os índios tupinambá foram os primeiros habitantes
da região, eram excelentes canoeiros, até que, com
a chegada dos portugueses e franceses que tentaram dominá-los
e ficar com a terra, os tupiniquim se aliaram aos portugueses
e se tornaram os maiores inimigos dos tupinambá.
Os tupinambás de Iperoig se organizaram para defender a
terra, formando a CONFEDERAÇÃO DOS TAMOIOS (tamoio:
Os mais antigos da terra) e passaram a enfrentar os estrangeiros
(portugueses e franceses). Em 1563, os jesuítas Manoel
da Nóbrega e José de Anchieta partiram de São
Vicente com destino a Aldeia de Iperoig com missão de pacificar
os índios. Como os Confederados Tamoios desconfiaram da
palavra dos portugueses, Anchieta ficou preso durante vários
meses, enquanto Nóbrega voltou a São Vicente para
finalizar o Tratado de Paz que passou a figurar na História
do Brasil como “A PAZ DE IPEROIG” (Primeiro Tratado
de Paz, firmado nas Américas). Anchieta enquanto prisioneiro
escreveu na areia da Praia de Iperoig, o célebre “POEMA
À VIRGEM”, com 4.072 versos em latim.
Com a paz restabelecida, o Governador Geral do Rio de Janeiro,
tomou providências para colonizar a área, com a intenção
de assegurar a posse para a colônia de portugueses. A aldeia
foi elevada a categoria de Vila em 28/10/1637 com o nome de VILA
NOVA DA EXALTAÇÃO À SANTA CRUZ DO SALVADOR
DE UBATUBA.
No entanto Ubatuba começou a ser colonizado em 1600 por
Inosenso de Unhate, Miguel Gonçalves, Gonçalo Correa
de Sá e seu irmão Martim de Sà. Mais tarde
a Donatária da Capitania, Mariana Souza Guerra - a Condessa
de Vimieiro, doou a sesmaria a Maria Alves que não podendo
colonizar passou o registro das terras em 1610 para Jordão
Homem da Costa, construindo a Capela de Nossa Senhora da Conceição
continuando a colonização da Aldeia de Iperoig,
que em 1637 foi elevada a Vila, com o nome de Exaltação
à Santa Cruz do Salvador de Ubatuba. Durante o século
XVII, a produção agrícola cresceu e a Baía
de Ubatuba se transformou no mais movimentado Porto da Capitania
de São Vicente. No entanto, a Vila de Ubatuba pertencia
à jurisdição do Rio de Janeiro, até
que uma ordem do Rei subordinou a São Paulo.
Com esse ato, Bernardo José de Lorena, governador da Capitania
de São Paulo, tinha poderes para manipular o controle do
Porto, em 1789, esse governo determinou que “toda e qualquer
exportação só poderia ser feita pelo Porto
de Santos e diretamente ao Reino”. Essa ordem causou grande
impacto na agricultura e cultivo foi o início da “primeira
decadência do município”.
Melo de Castro e Mendonça, sucessor de Bernardo José
de Lorena, ao tomar posse em 28 de junho de 1797, logo procurou
averiguar a razão das queixas dos habitantes do Litoral.
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Verificou que a proibição
da exportação era realmente um entrave a economia
de Ubatuba, concedendo em 28 de setembro de 1798, a liberdade
de comércio e livre exportação.
De 1800 a 1890 Ubatuba teve o privilégio de ser uma cidade
rica, por três vezes a arrecadação do município
superou a de São Paulo, o motivo foi à reabertura
do Porto. Os ricos exportadores voltaram a reativar seus negócios,
nesse período foram construídos os mais imponentes
prédios, casas de comércio, escritórios de
exportação e luxuosas residências, evidenciando
o teatro, onde atualmente funciona o Fórum da Comarca.
Ubatuba chegava ao apogeu econômico e a euforia chegou a
ponto dos exportadores planejarem uma ferrovia para modernizar
o Porto e fazer concorrência com Santos e Rio de Janeiro
e atender os agricultores do Sul de Minas. Mas a pressão
dos concorrentes dos outros Portos fez com que o governo decretasse
a primeira moratória do Brasil, par impedir a construção.
Os ricos mudaram de cidade, ficaram os pobres e pequenos comerciantes
vendo os imponentes sobrados sendo destruídos pelo abandono.
. Uma tentativa de se construir uma ferrovia entre Taubaté
e Ubatuba foi vista com muita esperança, mas a proposta
fracassou. A população diminuiu em duas mil pessoas.
A estrada da serra ficou praticamente desativada e o tráfego
marítimo foi reduzido a um navio de dez em dez dias, no
caminho entre Santos e Rio de Janeiro. Ubatuba voltava ao isolamento,
não havendo estrada terrestre ao longo do litoral, com
toda a comunicação sendo realizada através
de canoas.
Somente em 21 de abril de 1933 houve uma nova esperança.
Era o engenheiro mariano Montesanti que descia a serra no seu
carro inaugurando a estrada que construiu, ligando o município
a Taubaté por rodovia, o que despertou uma nova etapa na
História de Ubatuba.
Em 1948 conquistou a categoria de Estância Balneária,em
1950 os taubateanos iniciaram a construção de casas
de veraneio e obteve um impulso em 1964, quando o industrial e
mecenas Francisco Matarazzo Sobrinho (o Ciccillo Matarazzo) foi
eleito prefeito da cidade, e buscou seu desenvolvimento, convocando
arquitetos e paisagistas, constituindo uma arquitetura com proporções
bem resolvidas, simplicidade construtiva, linhas harmoniosas e
respeito ao clima e ao meio ambiente.
Hoje Ubatuba resgata seu passado na cultura caiçara, nas
ruas, nas festas de origem portuguesa e nos edifícios históricos,
revelando seu potencial como Estância Balneária para
o Turismo.
OBS.: Em 1637 a então Aldeia de Iperoig se tornou Vila
com o nome de Vila da Exaltação à Santa Cruz
do Salvador de Ubatuba. Em 1855 se tornou Comarca de Ubatuba e
em 1944 à Estância Balneária. (Dados coletados
com o Historiador Edson da Silva). |